sábado, 7 de agosto de 2010

Estudo aponta 95 regiões no DNA ligadas ao metabolismo de gorduras

Um estudo realizado por cientistas do Centro Helmholtz em Munique e coordenado pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, identificou 95 loci de genes no genoma humano, cada um deles associado com pelo menos um dos fatores fundamentais ao metabolismo de lipoproteínas: colesterol e triglicérides.
Locus (plural, no latim, loci) são regiões em cada cromossomo nas quais um gene pode ou não estar, exercendo ou deixar de cumprir determinada influência em fenótipos. São posições fixas em um cromossomo.
Divulgado na versão online da revista científica Nature, o estudo foi iniciado para responder a duas questões: existem genes nos loci identificados com o metabolismo de lipídios; se existem, poderiam ter alguma relevância no desenvolvimento de terapias.
Christian Gieger, do Instituto de Epidemiologia do Centro Helmholtz, acredita que a resposta às perguntas é positiva. "Nossa análise permitiu apontar variantes genéticas ligadas não só com altos níves de lipídios, mas também com doenças arteriais coronarianas", afirma o médico.
Do total de loci, 59 foram associadas a uma das quatro feições dos lipidios - colesterol total, LDL (conhecido como "colesterol ruim"), HDL (o "colesterol bom") e triglicérides - pela primeira vez. "Identificar as novas variantes é provavelmente a parte mais interessante do nosso estudo", afirma Tanya Teslovich, pós-doutora e pesquisadora na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan.
Tanya cruzou os resultados de 46 estudos diferentes, que representam informações coletadas junto a mais de 100 mil pessoas, por meio de um processo conhecido como meta-análise.
"É comum o argumento que meta-análises com mais de 100 mil testes têm relevância pequena na biologia de doenças complexas", explica o professor Heinz-Erich Wichmann, diretor do Instituto de Epidemiologia do Centro Helmholtz. "Nosso estudo refuta essa crença, os novos loci descobertos possuem clara relevância clínica e biológica."
Segundo os pesquisadores, a maior parte das variantes genéticas encontradas são associadas com o colesterol ruim (LDL) e também com doenças cardiovasculares. "Nós queremos que o LDL esteja em nível saudável em nosso corpo, mas agora ele pode também prover a pista para compreender patologias e evitá-las com desenvolvimento de terapias."

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/08/cientistas-apontam-95-loci-de-genes-ligados-ao-metabolismo-de-lipidios.html 7/8/2010

Estudo afirma que humanos compartilham genes com esponjas do mar

Pode ser que a humanidade descenda do macaco, mas cientistas australianos encontraram provas de relações muito mais estreitas do homem com o solo submarino, em um estudo que revela que as esponjas do mar compartilham quase 70% de genes com os humanos.
A sequência genética das esponjas do mar na Grande Barreira de Recifes da Austrália mostrou que esse animal aquático invertebrado compartilha muito de seus genes com os humanos, incluindo um grande número de genes associados com doenças como o câncer.
A descoberta pode proporcionar novas bases de descobertas em relação ao câncer e a pesquisas com células-tronco, afirmou o chefe do estudo, Bernard Degnan, da Universidade de Queensland, Austrália.
"As esponjas têm o que consideramos o 'Santo Graal' das células-tronco", afirmou Degnan.
Explorar as funções genética das células-tronco das esponjas poderá revelar "relações profundas e importantes" con os genes que influenciam a biologia das células-tronco humanas.
"Pode, inclusive, modificar a forma em que pensamos nossas células-tronca e como poderíamos usá-las em futuras aplicações médicas", explicou.
O estudo, publicado pela revista Nature esta semana, é o resultado de mais de cinco anos de pesquisas de uma equipe internacional de cientistas.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/08/estudo-afirma-que-humanos-compartilham-genes-com-esponjas-do-mar.html , 7/8/2010

Vacina contra esquistossomose será testada no Brasil ainda em 2010

Uma vacina brasileira com base em uma proteína pode ser a primeira contra a esquistossomose, patologia que afeta 20 milhões de pessoas e causa 200 mil óbitos por ano no mundo. Só no Brasil, 7 milhões de pessoas são contaminadas pela doença da "barriga-d'água", especialmente no Nordeste e em Minas Gerais.
Desenvolvida a partir do trabalho da médica Mirian Tendler, descobridora da técnica para isolar a proteína SM14, vital para o parasita causador, a imunização será testada ainda este ano em humanos e, se eficaz, pode chegar à alcance da população até 2015.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), dona da patente dos resultados na manipulação da proteína, licenciou uma empresa nacional para a produção de duas vacinas, para humanos e animais. Especialistas afirmam que é possível reproduzir a vacina em escala industrial. A instituição já aguarda a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para inciar os testes em pessoas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão ligado à ONU, a proteína é a maior esperança contra a esquistossomose atualmente.
A esquistossomose é causada por um platelminto, animal invertebrado, conhecido como Schistosoma. Na América Latina e na África, a espécie Schistosoma mansoni responde pelas infecções. Sintomas como anemia, febre e diarreia são os mais comuns à doença.
Outra doença, a fasciolose hepática, manifestada em bovinos, caprinos e ovinos, também é alvo das pesquisas da Fiocruz e uma vacina já foi testada com sucesso em carneiros, segundo a instituição.

Técnica permite regeneração de tecido em ratos pela primeira vez

Duas pesquisas publicadas nesta sexta (6) foram recebidas como conquistas importantes no caminho para recuperar tecidos danificados no corpo humano.
Se uma salamandra perder um pedaço do rabo, ele cresce de novo. Se um peixe perder parte do coração, ele volta ao normal. A regeneração é comum em muitos peixes e anfíbios.
Os cientistas dizem que essa capacidade de regeneração desapareceu nos mamíferos com a evolução. Em troca, ganhamos um mecanismo para evitar a reprodução descontrolada das células, e reduzir os riscos de tumores. Com isso, a expectativa de vida ficou maior.
Se por uma fatalidade uma pessoa perder pernas ou romper músculos do coração, não há como recuperar. Ainda não, nos seres humanos. Mas nos ratos, cientistas da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, conseguiram regenerar um tecido muscular pela primeira vez.
O segredo foi bloquear dois genes presentes nos mamíferos: o "RB" e o "ARF". Esses genes produzem proteínas que controlam o crescimento desordenado das células, impedindo o aparecimento de tumores.
Os cientistas adicionaram às células um composto químico que conseguiu neutralizar o efeito dos genes. As células novas foram levadas para a perna de um rato, onde continuaram a se regenerar. Depois da regeneração, os genes são desbloqueados para voltar a proteger o organismo contra o câncer.
Também com uma técnica de reprogramação de células pesquisadores de um centro de estudos de doenças cardiovasculares, de São Francisco, tentaram regenerar o músculo do coração depois de um ataque cardíaco. Deu certo, nos ratos.
Para os humanos, os pesquisadores concordam que ainda é cedo para falar em recuperar braço ou perna amputados. Mas o próximo passo é tentar recuperar outros tipos de tecidos como células nervosas.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/08/tecnica-permite-regeneracao-de-tecido-em-ratos-pela-primeira-vez.html , 7/8/2010, 4 AM